Brasil rumo a um Novo Recorde na Produção de Grãos

Brasil rumo a um Novo Recorde na Produção de Grãos

O agronegócio brasileiro começa 2026 com um novo motivo de destaque: segundo dados mais recentes divulgados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o Brasil está projetado para atingir um novo recorde na produção de grãos no ciclo 2025/26, com a estimativa total superando 350 milhões de toneladas, um leve crescimento em relação à safra anterior e mais um passo na série histórica de expansão da produção nacional (vide gráfico a seguir).

Fonte: Valor Econômico (dados da Conab), 2026.

 

Segundo o Quarto Levantamento da Safra de Grãos divulgado em janeiro de 2026, a estimativa atual coloca a produção total de grãos em cerca de 353 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, representando um crescimento nominal de aproximadamente 0,3% em relação à temporada 2024/25. Esse resultado projeta um novo recorde histórico, impulsionado especialmente pela expansão da principal cultura agrícola brasileira, a soja, que deve alcançar mais de 176 milhões de toneladas nesta safra.

Embora o quadro geral seja positivo no agregado, o comportamento das culturas individuais é heterogêneo

A soja continua liderando com forte crescimento em produção, refletindo tanto a expansão da área plantada quanto ganhos de produtividade alcançados nos últimos anos. Em contraste, a produção de milho (que no Brasil ocorre em três safras anuais distintas) apresenta uma leve retração, estimada em torno de 1,5%, em parte decorrente de eventos climáticos adversos em algumas regiões.

Esse resultado expressivo é parte de uma tendência de longo prazo: o Brasil tem repetidamente ampliado a sua produção de grãos nas últimas décadas, tornando-se um dos maiores produtores e exportadores mundiais de commodities agrícolas. Projeções anteriores da Conab e de instituições internacionais já indicavam que o país poderia ultrapassar a marca dos 350 milhões de toneladas, baseadas em aumentos tanto na área cultivada quanto na adoção de tecnologias agrícolas avançadas.

A consolidação desse novo recorde tem implicações econômicas relevantes. Uma produção maior de grãos reforça o papel do Brasil como um dos players mais importantes no comércio global de commodities, especialmente em relação à soja, milho e outros produtos essenciais para alimentação humana e animal, além de insumos industriais. Isso também abre espaço para maior oferta interna de matérias-primas para setores como alimentação, ração animal e bioenergia, estimulando cadeias produtivas relacionadas ao agronegócio.

Entretanto, os números também refletem algumas nuances e desafios. A previsão de crescimento modesto no total de produção indica que fatores climáticos, volatilidade de preços internacionais e questões logísticas continuam influenciando a dinâmica produtiva. Enquanto a agricultura brasileira tem colhido sucessivos recordes de produção, a variabilidade de safras aponta para a importância de estratégias de manejo de risco, investimento em infraestrutura e políticas públicas que sustentem a competitividade do setor em um ambiente global cada vez mais exigente.

Além disso, o crescimento da produção de grãos está ligado a um aumento da área plantada.

Estimativas recentes apontam que o Brasil deverá ampliar a área cultivada para cerca de 83,8 milhões de hectares nesta safra, um crescimento que acompanha o desempenho agregado da produção.

A produção recorde de grãos também tem impacto direto nas exportações brasileiras. Produtos como soja e milho respondem por boa parte das vendas externas do setor agrícola, com a soja, em particular, mantendo sua posição de destaque no mercado global. Relatórios de exportação indicam que volumes embarcados de soja podem continuar em níveis elevados, impulsionados por demanda internacional crescente, especialmente na Ásia.

No plano interno, um ciclo produtivo robusto beneficia não só grandes produtores e exportadores, mas também a economia regional em áreas de forte vocação agrícola, contribuindo para geração de renda no campo, movimentação de serviços e emprego rural. Ainda assim, a sustentabilidade ambiental, a gestão eficiente do uso de água e solo e a mitigação de riscos climáticos seguem como desafios centrais para assegurar que o crescimento da produção seja resiliente e responsável.

Em síntese, a projeção de uma produção de grãos superior a 350 milhões de toneladas no ciclo 2025/26 não é apenas um número impressionante. Ela sintetiza décadas de avanços tecnológicos, organização do setor produtivo e integração aos mercados globais, ao mesmo tempo em que expõe a necessidade de políticas e práticas que fortaleçam a competitividade brasileira diante de um cenário global cada vez mais complexo e dinâmico.

Fonte da imagem: Freepik.

 

Henrique de Castro Neves
Henrique de Castro Neves

Doutor em ciências econômicas aplicadas, mestre em ciência e tecnologia do leite e bacharel em administração e ciências contábeis.