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Todos os anos, a história se repete. Empresas planejam treinamentos, reciclagens e investem tempo e recursos financeiros em programações anuais. Em muitos casos, esse planejamento nasce de forma apressada, quando a alta direção solicita a apresentação do plano de investimentos para o próximo ano. O resultado costuma ser previsível: orçamentos mal dimensionados e a repetição do “mais do mesmo”, estruturados sem uma análise crítica real das necessidades do negócio e, principalmente, sem uma avaliação consistente sobre a metodologia de treinamento adotada.
E o tempo para repensar o treinamento interno? Entra ano, sai ano e ele nunca aparece. Pequenos ajustes são feitos aqui e ali, geralmente motivados por atualizações normativas ou exigências externas, e não por uma revisão profunda do método, da eficácia ou do impacto real desses treinamentos no comportamento das pessoas.
Se eu pudesse deixar um conselho prático para 2026, seria este: invista em uma parceria que ajude a reestruturar os treinamentos internos de forma estratégica. Não apenas o conteúdo, mas o método, a frequência, a abordagem, a linguagem e o formato. Alguém que ajude a diagnosticar o cenário atual, identificar os verdadeiros gargalos de aprendizado e, a partir disso, planejar treinamentos futuros que realmente façam sentido e funcionem.
Em ambientes de Food Safety, é comum ouvir frases como:
“Já treinamos isso várias vezes”,
“Eles sabem, mas não fazem”,
“Parece que esquecem tudo”.
Essas falas partem de uma suposição equivocada: a de que aprender uma vez é suficiente e de que memória funciona como um arquivo permanente. A neurociência, a psicologia cognitiva e a ciência do aprendizado mostram exatamente o oposto.
O cérebro humano tem limites claros para aprender, memorizar e executar tarefas combinadas. Ignorar esses limites torna o sistema de aprendizado mais frágil.
A curva de aprendizado descreve a relação entre tempo, repetição e desempenho. No início, o ganho de aprendizado é rápido, mas superficial. Com o tempo, sem reforço, esse aprendizado estagna ou regride.
Em termos práticos:
O aprendizado real exige exposição repetida, contextualizada e espaçada. Quando o treinamento é concentrado em um único momento (por exemplo, um treinamento anual longo e denso), o cérebro absorve pouco e esquece rápido.
Hermann Ebbinghaus, psicólogo alemão, demonstrou que esquecemos grande parte de uma informação nova nas primeiras horas ou dias, se ela não for reforçada. Essa é a chamada curva do esquecimento.
De forma simplificada:
Isso não é falta de interesse, nem má vontade. É biologia.
Em Food Safety, isso explica por que:
Outro erro comum é tratar memória como um HD. A memória humana não armazena informações de forma estática. Cada vez que lembramos algo, nós o reconstruímos e essa reconstrução é influenciada pelo que na neurociência chamamos de filtros:
Se o ambiente reforça a pressa, o improviso ou o “sempre foi assim”, o cérebro prioriza esses sinais em detrimento do conteúdo do treinamento.
Por isso, treinar bem em um ambiente e cobrar em outro completamente diferente reduz drasticamente a retenção e a aplicação prática.
Reciclagem mal planejada é, de fato, cansativa e ineficiente. Mas reciclagem bem estruturada é o que transforma conhecimento em hábito.
A consolidação da memória exige:
Sem isso, o cérebro entende o treinamento como algo temporário, irrelevante para a sobrevivência cotidiana, e descarta a informação.
Treinamentos extensos, genéricos e desconectados da rotina pioram a retenção, porque:
O resultado é paradoxal: quanto mais conteúdo, menos aprendizado real.
O gestor que entende curva de aprendizado e memorização:
Treinar não é um evento. É um processo contínuo de construção de hábitos.
Espero que estas dicas sejam úteis para você repensar os treinamentos para 2026 e como dica extra: O mito do “consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo” deve ficar em 2025.
A ideia de multitarefa é um dos maiores equívocos da gestão moderna. O cérebro não executa duas tarefas cognitivas complexas simultaneamente. O que ele faz é alternar rapidamente o foco de atenção, com perda de desempenho, aumento de erros e maior fadiga mental.
Estudos em psicologia cognitiva mostram que, sempre que alternamos entre tarefas, há um custo cognitivo: o cérebro precisa “desligar” um contexto e “ligar” outro. Em ambientes produtivos, isso significa:
Então, no seu próximo treinamento lembre-se: celular não é uma ferramenta bem-vinda, nem para quem ministra o treinamento e tão pouco para quem está sendo treinado, dentre tantas outras distrações que devem ser repensadas no contexto de um treinamento eficaz.
Em Food Safety, não lidamos apenas com normas, procedimentos e checklists. Lidamos com cérebros humanos, limitados, adaptativos e altamente influenciáveis pelo ambiente.
Esperar retenção perfeita sem reforço é ignorar décadas de evidência científica. É ignorar a biologia humana. Esperar comportamento consistente sem estrutura é transferir para o indivíduo uma responsabilidade que é do sistema.