FAO e OMS solicitam dados sobre segurança microbiológica de alimentos congelados

FAO e OMS solicitam dados sobre segurança microbiológica de alimentos congelados

 

A segurança microbiológica de alimentos congelados está no centro de uma nova iniciativa internacional liderada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). As duas organizações lançaram um pedido global para coleta de dados científicos sobre os impactos das temperaturas de armazenamento congelado na segurança dos alimentos.

A iniciativa tem como objetivo apoiar os próximos trabalhos das Reuniões Conjuntas de Especialistas da FAO e da OMS sobre Avaliação de Risco Microbiológico (JEMRA), que analisam riscos microbiológicos em alimentos e auxiliam na elaboração de orientações internacionais.

Além disso, a chamada busca reunir contribuições de governos, indústria, universidades, laboratórios e outras partes interessadas. As informações enviadas poderão apoiar futuras avaliações científicas sobre o tema. O prazo para envio dos dados é 15 de abril de 2026.

Segurança microbiológica de alimentos congelados em análise internacional

O pedido de dados surge após uma proposta apresentada em 2025 pelo Comitê do Codex sobre Higiene dos Alimentos. O grupo solicitou que a FAO e a OMS avaliassem a base científica das temperaturas atualmente utilizadas para armazenamento de alimentos congelados.

Atualmente, o Código de Boas Práticas do Codex Alimentarius para alimentos ultracongelados estabelece –18 °C como temperatura de referência para armazenamento e distribuição desses produtos.

No entanto, especialistas buscam entender se outras temperaturas de armazenamento poderiam oferecer segurança microbiológica equivalente, ao mesmo tempo em que contribuem para maior eficiência energética e sustentabilidade da cadeia de frio.

Temperaturas mais altas podem aumentar riscos microbiológicos

Apesar da análise em andamento, as organizações destacam que temperaturas de armazenamento superiores a –18 °C podem aumentar riscos associados à segurança dos alimentos.

Entre os possíveis impactos estão:

  • Sobrevivência de microrganismos patogênicos.

  • Persistência de parasitas.

  • Redução da qualidade dos alimentos.

  • Diminuição do prazo de validade.

Dessa forma, compreender o comportamento de microrganismos durante congelamento, armazenamento e descongelamento é essencial para garantir a segurança microbiológica de alimentos congelados.

Além disso, esses dados podem ajudar a orientar futuras decisões regulatórias e práticas industriais relacionadas à cadeia de frio.

Organizações buscam dados sobre comportamento de patógenos

A FAO e a OMS estão solicitando dados representativos em nível global sobre diferentes aspectos da microbiologia de alimentos congelados.

Entre os principais temas de interesse estão:

  • Comportamento de patógenos bacterianos durante congelamento, armazenamento e descongelamento.

  • Comparação do comportamento microbiano em diferentes temperaturas de armazenamento, como –18 °C, –15 °C, –12 °C e –5 °C.

  • Efeitos de diferentes métodos e velocidades de congelamento.

  • Sobrevivência de parasitas em temperaturas abaixo de zero.

  • Monitoramento da temperatura ao longo da cadeia de frio.

Além disso, as organizações também buscam informações sobre aspectos de qualidade dos alimentos congelados, incluindo degradação de nutrientes, oxidação de lipídios, alterações enzimáticas e características sensoriais.

Dados apoiarão futuras decisões do Codex Alimentarius

Os dados coletados deverão apoiar avaliações científicas conduzidas pela FAO e pela OMS sobre os riscos microbiológicos associados ao armazenamento congelado de alimentos.

Posteriormente, essas análises poderão subsidiar discussões na Comissão do Codex Alimentarius, organismo internacional responsável por estabelecer padrões globais para alimentos.

Por fim, o objetivo é garantir que as diretrizes internacionais sobre congelamento e armazenamento de alimentos permaneçam baseadas em evidências científicas atualizadas e contribuam para a proteção da saúde pública.

Fonte: Food Safety Magazine.

Caroline Dias de Araujo
Caroline Dias de Araujo

Bacharel em Nutrição, pós-graduada em Saúde Pública, tecnóloga em Design Gráfico e especialista em Comunicação, Publicidade e Marketing em Mídias Digitais