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Em maio de 2026, um surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, de bandeira holandesa, chocou autoridades sanitárias de todo o mundo. Até o momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou 12 casos e três mortes. Todos os casos confirmados estavam relacionados ao vírus Andes (ANDV), a única cepa de hantavírus com transmissão documentada entre humanos.
A hipótese inicial de trabalho das autoridades é que o primeiro caso (Paciente zero) adquiriu a infecção antes do embarque, provavelmente em contato com roedores em terra firme. A partir daí, a transmissão teria ocorrido entre passageiros, dentro do próprio navio, por contato próximo e prolongado.
O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos classificou o surto como resposta de emergência nível 3 e enviou equipes de epidemiologistas às Ilhas Canárias, onde o navio atracou em 10 de maio. Passageiros de pelo menos 12 países, incluindo: Austrália, Canadá, França, Alemanha, África do Sul e Estados Unidos, foram hospitalizados ou colocados em quarentena após o desembarque.
À primeira vista, um surto de hantavírus em um navio pode parecer distante do universo da segurança dos alimentos. Mas há uma conexão direta e urgente: roedores são vetores de doenças e contaminantes silenciosos em ambientes onde alimentos são armazenados, preparados e servidos.
O hantavírus se transmite principalmente pela inalação de poeira contendo fezes, urina ou saliva secas de roedores infectados. Em ambientes fechados, como porões, despensas, cozinhas industriais, depósitos e sim, também navios de cruzeiro, a presença de ratos ou camundongos cria risco imediato não apenas de contaminação biológica dos alimentos, mas também de infecção respiratória grave para quem trabalha ou circula nesses espaços.
Além do hantavírus, roedores são vetores conhecidos de outros patógenos que afetam diretamente a cadeia alimentar:
Ambientes de produção, armazenamento e distribuição de alimentos são particularmente vulneráveis à infestação por roedores e outras pragas. Ratos e camundongos buscam três coisas: comida, água e abrigo.
Um único roedor pode contaminar dezenas de quilos de alimentos com suas fezes, urina e pelos. Mais grave: roedores são noturnos e discretos, muitas vezes a infestação só é detectada quando já está avançada, depois que os danos à saúde pública e à imagem do estabelecimento já foram feitos.
O caso do MV Hondius é um lembrete de que ambientes confinados com grande circulação de pessoas e estoques de alimentos como navios, hotéis, hospitais e indústrias alimentícias exigem atenção redobrada ao controle de pragas.
Apesar da primeira hipótese de avaliação estar associada a uma contaminação ainda em solo e não no navio, não podemos deixar de falar sobre o quão propício é a presença deste roedor neste tipo de ambiente, quando não há controle apropriado.
Tanto o Ministério da Saúde do Brasil quanto a OMS recomendam medidas práticas e acessíveis para reduzir o risco de infestação e contaminação:
No armazenamento de alimentos:
No ambiente:
Na limpeza e higiene:
No monitoramento:
Desde os primeiros casos identificados em 1993, em Juquitiba (SP), o Brasil acumulou mais de 2.376 casos até dezembro de 2024, com uma letalidade de quase 40%, uma das mais altas do mundo. A Região Sul concentra o maior número de registros, mas casos ocorrem também no Centro-Oeste, Sudeste e outras regiões.
O surto no MV Hondius, envolvendo o vírus Andes, que circula principalmente na América do Sul, reforça que a ameaça é regional e real. A cepa andina tem uma característica que a diferencia das demais: a transmissão entre humanos, documentada em contatos próximos e prolongados.
O surto no navio é um sinal, assim como todos os surtos que acontecem, devemos olhar para ele e aprender. Roedores continuam sendo um dos maiores vetores de doenças transmitidas por alimentos no mundo. Sua presença em qualquer elo da cadeia produtiva, da lavoura ao prato, representa falha grave de controle sanitário é requisito de segurança dos alimentos. Para os consumidores, vale estar atento a sinais de infestação (fezes, roeduras, odor característico) e denunciar irregularidades aos órgãos de vigilância sanitária.
Fontes: