Conhecimento que Transforma
a Segurança dos Alimentos!
Juntos, semeamos conhecimento para colher um futuro mais seguro

O maior erro não é falhar, é regredir
Em muitas indústrias, o cenário é conhecido: após treinamentos, campanhas e auditorias, há uma melhora visível no comportamento. Por algumas semanas, ou meses, tudo parece funcionar. Até que, gradualmente, os velhos hábitos retornam.
Portas voltam a ficar abertas. Higienização das mãos perde rigor. Pequenos desvios passam despercebidos.
O problema não está na falta de esforço inicial, mas na incapacidade de sustentar hábitos ao longo do tempo.
Neste artigo, o foco não é criar hábitos, é evitar que eles desapareçam.
Como sustentar hábitos seguros no longo prazo
Liderança, cultura e consistência
A ciência comportamental mostra que hábitos não consolidados competem com hábitos antigos, especialmente em cenários de:
Em segurança dos alimentos, isso é ainda mais crítico porque:
Quando o risco não é percebido, o hábito perde força.
Muitas empresas afirmam ter “cultura de food safety”. Poucas conseguem explicar como ela se manifesta no comportamento diário.
Cultura, na prática, é:
Se um desvio é tolerado, ele deixa de ser exceção e vira padrão.
Toda cultura é um conjunto de hábitos coletivos em determinado espaço e contexto.
Aqui está um ponto que precisa ser dito com clareza: liderança não reforça hábito com discurso, reforça com presença e coerência.
O comportamento da liderança funciona como:
Muitas vezes o comportamento da liderança é a recompensa que o cérebro precisa para validar um hábito existente ou reforçar um hábito novo, seja ele, positivo ou negativo.
Exemplo: se o líder da área, frente a uma não conformidade básica, como por exemplo: um colaborador está com a barba por fazer e o gestor deixa passar como algo normal, o cérebro destaca aquilo como: “isso não é tão importante”, ou ainda, se o gestor entra na área de produção sem barbear adequadamente, da mesma forma, o cérebro daquele que já não costuma fazer a barba todo dia, registra como: “se ele também não faz, não deve ser tão importante.”
Quando líderes:
Eles não estão apenas não resolvendo um problema pontual. Estão ensinando um novo hábito ao time.
Aquilo que o líder tolera uma vez, ele autoriza para sempre.
Um erro comum em programas de segurança dos alimentos é confundir rigor com consistência.
Um gestor consistente:
Inconsistência é um dos maiores sabotadores de hábito.
Alta rotatividade é frequentemente usada como justificativa para falhas recorrentes.
Mas organizações com cultura forte conseguem manter padrões mesmo trocando pessoas.
A diferença está em:
Quando a cultura depende apenas de pessoas-chave, ela é frágil. Quando depende de sistemas, ela é resiliente.
Sem feedback, o cérebro entende que:
Feedback eficaz:
Não se trata de punir. Trata-se de manter o hábito vivo na consciência coletiva.
Sustentar hábitos seguros não é sobre mais procedimentos, mais treinamentos, mais fiscalização.
É sobre: Liderança coerente, consistência diária, ambientes bem desenhados, feedback contínuo
Quando gestores entendem isso, a pergunta muda de: “Por que as pessoas não fazem?”
Para: “O que nosso sistema está permitindo que elas façam e o que não façam?”
No próximo e último artigo vamos falar sobre:
Segurança dos alimentos não é um projeto, é um comportamento sustentado todos os dias.
Fonte da imagem: Imagem feita pela IA