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Falar sobre mulheres na ciência ainda é necessário não por uma questão simbólica, mas por uma razão prática: a ciência que orienta decisões, políticas e processos continua sendo construída a partir de um recorte limitado de vozes. Como resultado, essa limitação gera consequências reais para a sociedade.
O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, reforça que a ciência não é neutra, automática ou impessoal. Ela é construída por pessoas, com histórias, contextos e olhares diferentes. Quando esses olhares permanecem restritos, a qualidade da ciência — e das decisões que dependem dela — também diminui.
Quando falamos de desigualdade relacionada às mulheres na ciência, não tratamos de percepções isoladas ou realidades locais. Pelo contrário, os dados são globais e vêm sendo monitorados por organismos internacionais há anos.
Segundo informações consolidadas pela UNESCO, as mulheres representam aproximadamente um terço dos pesquisadores no mundo. Além disso, mesmo nas etapas iniciais da formação científica, a disparidade já aparece de forma clara: apenas cerca de 35% dos estudantes das áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) são mulheres.
O dado mais preocupante é que essa participação feminina diminui progressivamente ao longo da carreira científica. Ou seja, o desafio não está apenas no acesso à ciência, mas principalmente na permanência, na progressão profissional e na ocupação de espaços de decisão.
Órgãos científicos reforçam esses números globais em materiais institucionais, como os divulgados pelo INPE, em alinhamento com a agenda internacional da ONU voltada à valorização das mulheres e meninas na ciência.
Nesse contexto, a ciência depende diretamente de pluralidade de pensamento, leitura crítica e capacidade de questionar modelos estabelecidos. Quando a produção científica se concentra em um perfil dominante, cresce a tendência à repetição de padrões e diminui a sensibilidade a contextos diversos.
Além disso, é fundamental lembrar: a ciência não se limita a artigos acadêmicos. Ela se transforma em políticas públicas, normas técnicas, processos industriais e decisões que afetam diretamente a vida das pessoas em diferentes partes do mundo.
Portanto, ampliar a presença de mulheres na ciência não representa apenas uma pauta de equidade. Trata-se de uma estratégia concreta para elevar a qualidade das decisões que orientam sociedades inteiras.
Por isso, métodos analíticos, critérios de segurança, avaliações de risco e limites regulatórios que orientam indústrias e governos têm origem em decisões científicas. Quando essas decisões consideram poucos olhares, o risco de simplificação aumenta, especialmente em áreas sensíveis à saúde pública.
Dessa forma, diversidade científica significa maior capacidade de análise, mais questionamento técnico e maior prevenção de falhas. Consequentemente, esses fatores se refletem na qualidade dos processos, na segurança dos produtos e na proteção da população.
Na segurança dos alimentos, a ciência atua de forma essencialmente aplicada. Ela orienta análises microbiológicas, valida processos, interpreta dados e define estratégias de controle que protegem a saúde pública em escala global.
Nesse cenário, a atuação de mulheres na ciência dos alimentos e no Food Safety exerce um papel estratégico. Elas atuam em laboratórios, áreas de qualidade, pesquisa, produção e gestão técnica, tomando decisões que evitam falhas, surtos e riscos que muitas vezes não são visíveis para o consumidor final.
Assim, fortalecer a presença feminina nesses espaços fortalece diretamente a tomada de decisão, amplia a capacidade crítica e reduz riscos sistêmicos ao longo de toda a cadeia de alimentos.
Neste Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, é essencial reconhecer e valorizar todas as mulheres que atuam ao longo da cadeia de alimentos, em diferentes países, funções e contextos.
São mulheres que pesquisam, analisam, monitoram, produzem, questionam e decidem. Mulheres que sustentam processos, corrigem desvios e assumem responsabilidades que impactam diretamente a segurança dos alimentos e a saúde pública.
Por fim, valorizar essas profissionais significa reconhecer que a segurança dos alimentos depende de ciência, diversidade de olhares e compromisso social.
Este artigo foi elaborado com base nas informações e no contexto apresentados em materiais institucionais sobre o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em alinhamento com a iniciativa das Nações Unidas que reconhece o dia 11 de fevereiro como um marco para a valorização da participação feminina na ciência.
Imagem: Freepik