Webinar OMS novas estimativas DTA

Webinar OMS novas estimativas DTA – OMS lança novas estimativas globais sobre a carga das doenças de origem alimentar

Atualização inédita traz dados por país, inclui metais pesados e deverá orientar políticas de segurança dos alimentos nos próximos anos

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgará, em 4 de junho de 2026, a edição 2026 das estimativas globais sobre a carga das doenças transmitidas por alimentos, uma atualização aguardada há mais de uma década pelo setor de segurança dos alimentos. Os dados serão apresentados em webinar aberto ao público e representam a primeira vez que as estimativas estarão disponíveis em nível nacional, cobrindo 42 agentes etiológicos, incluindo quatro metais pesados.

O que são as estimativas da OMS e por que importam?

Desde 2015, quando a OMS publicou as primeiras estimativas sistemáticas com dados de 2010, o setor dispõe de uma referência global sobre incidência, mortalidade e anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (DALYs) associados às doenças de origem alimentar. A nova edição, prevista para 2026 por mandato da Resolução WHA 73.5 da Assembleia Mundial da Saúde, atualiza essa base com metodologia aprimorada e dados mais recentes.

Para profissionais que atuam na cadeia de alimentos, sejam produtores, indústria, serviços de inspeção ou reguladores, essas estimativas constituem evidência essencial para priorizar investimentos em controle de perigos, fundamentar análises de risco e subsidiar políticas nacionais de segurança dos alimentos.

O que há de novo na edição 2026?

A atualização traz avanços metodológicos e de escopo relevantes para quem trabalha com gestão de riscos alimentares:

Estimativas em nível nacional. Pela primeira vez, os dados estarão desagregados por país, o que permitirá comparações regionais e análises mais precisas da situação local. O processo incluiu uma consulta formal com Pontos Focais Nacionais para validação dos dados antes da publicação.

Ampliação do escopo para 42 perigos. Os 31 agentes da edição anterior são mantidos, com a incorporação de quatro metais pesados: arsênio, cádmio, chumbo e metilmercúrio. A inclusão de contaminantes químicos reforça a relevância da edição para setores como pesca, agricultura e processamento de alimentos.

Análise de tendências temporais. Sempre que os dados permitirem, a OMS buscará identificar tendências ao longo do tempo, possibilitando avaliar o impacto de intervenções e a evolução do perfil de perigos.

Dimensão econômica em desenvolvimento. Em parceria com o Banco Mundial, a OMS trabalha na estimativa do impacto econômico das doenças transmitidas por alimentos com base nos DALYs calculados. Esses dados deverão ser finalizados após 2026 e ampliarão o argumento econômico para investimentos em segurança dos alimentos.

Metodologia: como os dados foram construídos?

O processo metodológico foi conduzido pelo Grupo de Referência Epidemiológica para a Carga das Doenças de Origem Alimentar (FERG) para o período 2021–2025, com base em:

— Estudo global de atribuição de fontes alimentares, realizado pela Universidade de Delft (Países Baixos);

— Revisões sistemáticas da literatura científica e cinzenta sobre incidência dos agravos associados a cada perigo;

— Dados do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME), da Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) e da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC).

Webinar de lançamento: 4 de junho de 2026

A OMS realizará um webinar aberto para apresentação oficial das estimativas no dia 4 de junho de 2026. O evento é uma oportunidade para que profissionais da cadeia de alimentos, incluindo técnicos em qualidade, responsáveis por sistemas de gestão, auditores e formuladores de políticas, conheçam os dados em primeira mão, com apresentação dos responsáveis pela metodologia.

Informações sobre inscrição e acesso ao webinar estão disponíveis na página oficial da OMS sobre as estimativas de doenças de origem alimentar.

Para se cadastrar entre na página oficial.

 

Contexto regulatório e implicações para o Brasil

As estimativas da OMS têm papel central no processo de análise de risco, base do Codex Alimentarius, referência normativa para a legislação sanitária de alimentos no Brasil e internacionalmente. A disponibilização de dados desagregados por país pode qualificar o debate sobre prioridades do sistema de vigilância sanitária nacional, incluindo discussões no âmbito da ANVISA e do MAPA sobre monitoramento de perigos específicos.

A inclusão dos metais pesados como arsênio, cádmio e chumbo é especialmente relevante para o contexto brasileiro, dada a complexidade da cadeia agroindustrial do país e os debates em curso sobre limites máximos de contaminantes em alimentos.

 

Conheça os novos manuais da OMS sobre DTA

 

Saiba mais

Página oficial da OMS — Estimativas de Doenças de Origem Alimentar, Edição 2026:

Resolução WHA 73.5 — Mandato para atualização das estimativas globais de doenças alimentares

Keli Lima
Keli Lima

CEO da BR Quality e Estilo Food Safety, especialista em Qualidade e Segurança dos Alimentos. Atua como consultora, mentora e auditora líder em normas de Food Safety e ESG.

Acessar o conteúdo