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O caso que expôs a vulnerabilidade da cadeia global de ingredientes. Quando o risco está em um ingrediente usado por diferentes empresas e não no processo de fabricação do alimento final.
O mercado de fórmulas infantis é considerado um dos mais rigorosos e controlados dentro da indústria de alimentos. Afinal, trata-se de um produto destinado ao público mais vulnerável: recém-nascidos e crianças pequenas.
Por isso, qualquer sinal de risco exige resposta imediata.
Nas últimas semanas, um caso internacional trouxe preocupação crescente ao setor: a detecção da toxina cereulide, associada a cepas de Bacillus cereus, em ingredientes utilizados em fórmulas infantis.
O episódio começou com um recall anunciado pela Nestlé e rapidamente se expandiu, envolvendo também Lactalis e Danone, além de investigações oficiais relacionadas a crianças doentes (Reino Unido) e mortes sob apuração na França.
Dessa forma, mais do que um recall, o caso se tornou um exemplo real do impacto sistêmico que um ingrediente contaminado pode gerar em cadeias globais altamente conectadas.
A cereulide é uma toxina de origem bacteriana produzida por algumas linhagens de Bacillus cereus, um microrganismo amplamente distribuído no ambiente.
O grande problema é que cereulide possui características críticas para segurança de alimentos:
Segundo a Nestlé, a presença de cereulide em óleos utilizados em fórmulas infantis é considerada muito incomum, e a empresa declarou estar conduzindo investigação junto ao fornecedor do ingrediente. Além disso, estudos científicos reforçam que se trata de uma toxina altamente estável e difícil de inativar por processamento.
Início de janeiro de 2026 — Recall da Nestlé
O primeiro grande alerta veio com a Nestlé, que iniciou um recall envolvendo marcas como SMA, BEBA e NAN em dezenas de países, após detecção da possível presença de cereulide. Ademais, a investigação inicial apontou relação com um ingrediente lipídico específico: o óleo de ácido araquidônico (ARA).
Meados do dia 20 de janeiro de 2026 — Lactalis anuncia recall internacional
Poucos dias depois, a francesa Lactalis anunciou recall de lotes de fórmulas Picot distribuídas em aproximadamente 18 países, também associado a risco envolvendo cereulide. Diante disso, a empresa indicou que o problema estava relacionado a um ingrediente fornecido externamente.
23 a 26 de janeiro de 2026 — Danone entra no caso
Na sequência, Danone anunciou recall de lotes específicos de Aptamil produzidos na Irlanda, após as autoridades detectarem cereulide em produtos acabados.
A crise gerou forte reação de mercado e preocupação sobre o impacto reputacional da marca.
Autoridades francesas investigam relatos de crianças doentes e mortes possivelmente associadas ao consumo de fórmulas recolhidas, embora as causas ainda estejam sob apuração oficial.
O ácido araquidônico (ARA) é um ácido graxo essencial adicionado às fórmulas infantis para torná-las mais semelhantes ao leite materno.
No caso atual, o ingrediente apontado como elo comum entre os recalls foi o óleo de ARA produzido na China, utilizado em fórmulas premium. Segundo reportagens internacionais, a contaminação pode estar ligada a um fornecedor específico desse ingrediente lipídico.
Esse caso ilustra de forma dramática uma realidade crescente:
Um único ingrediente contaminado pode impactar múltiplos fabricantes globais ao mesmo tempo.
Isso ocorre porque ingredientes como ARA e DHA:
Diante desse cenário, o resultado é um recall em cascata, com perdas financeiras, riscos à saúde pública e enorme impacto reputacional.
Essa é uma das perguntas mais importantes do caso, e a resposta hoje é:
Há fortes indícios de uma origem comum, mas ainda não existe confirmação pública completa de todos os elos contratuais.
Fontes confiáveis já reportaram o seguinte:
Euronews afirmou que a contaminação foi rastreada até um único fornecedor chinês de óleo de ARA.
Não podemos afirmar que é o mesmo fornecedor e neste caso não podemos também descartar a possibilidade de que este perigo esteja associado a matéria prima e uma vez detectada em um fornecedor, ativou o alerta de todas as empresas que utilizam este ingrediente, bem como das autoridades de fiscalização, para avaliar outros fornecedores, identificando o mesmo problema.
Portanto, o cenário mais plausível é:
✅ uma fonte comum de ingrediente pode ter abastecido diferentes empresas
✅ após o recall inicial, outras companhias ampliaram análises e identificaram risco semelhante mesmo que com outros fornecedores
✅ reguladores aceleraram rastreamento e medidas preventivas em toda a cadeia
Esse caso deixa aprendizados importantes para toda a indústria:
No setor infantil, onde tolerância ao risco é mínima, eventos como esse reforçam que segurança de alimentos é responsabilidade compartilhada entre fabricantes, fornecedores e autoridades.
O caso da cereulide em fórmulas infantis ainda está em evolução, mas já se tornou um marco na discussão sobre:
Mais do que um recall, é um lembrete poderoso da interligação da cadeia e da necessidade de equipes de food safety sempre atentas, em corrente estudo e revisão de seus programas, porque de fato o NUNCA não existe no Food Safety. O que nunca aconteceu, em algum momento improvável pode acontecer.
Fonte da imagem: Imagem gerada por IA.
Codex Alimentarius reage a ameaça emergente de Clostridium botulinum em fórmulas infantis