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As doenças transmissão hídrica ou alimentar (DTHA) representam um dos maiores desafios de saúde pública no mundo. Elas são causadas pela ingestão de alimentos ou água contaminados por microrganismos patogênicos, toxinas ou substâncias químicas.
Apesar dos avanços tecnológicos, da ampliação de normas sanitárias e da adoção de sistemas preventivos como Boas Práticas de Fabricação (BPF) e APPCC, os dados globais indicam que o problema continua extremamente relevante.
Em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou o primeiro relatório global estimando a carga das doenças transmitidas por alimentos. Esse estudo concluiu que 31 agentes microbiológicos e químicos causaram cerca de 600 milhões de casos de doença e 420 mil mortes no mundo em um único ano (2010).
Esses dados mostraram que cerca de 1 em cada 13 pessoas no mundo adoece anualmente devido ao consumo de alimentos contaminados.
Agora, uma nova atualização conduzida pelo Foodborne Disease Burden Epidemiology Reference Group (FERG) da OMS está em fase final e deve ser publicada em 2026, trazendo estimativas atualizadas da carga global dessas doenças.
Estudos preliminares associados a essa atualização já indicam mudanças importantes na compreensão da epidemiologia global das doenças transmitidas por alimentos.
O relatório publicado pela OMS em 2015 foi o primeiro esforço global sistemático para quantificar a carga das doenças transmitidas por alimentos.
Os principais resultados indicaram:
Além disso, o estudo demonstrou que:
Entre os principais agentes identificados estavam:
Esses agentes estavam fortemente associados às doenças diarreicas transmitidas por alimentos, responsáveis pela maior parte da carga global.
A OMS iniciou um novo processo de atualização dos dados por meio do grupo FERG, com o objetivo de produzir uma segunda edição do relatório global.
Essa atualização analisa dados epidemiológicos de (aproximadamente) 2000 a 2021, incluindo novos patógenos e revisões metodológicas importantes.
Entre as novidades da nova estimativa estão:
Essa mudança metodológica tem impacto direto nas estimativas, uma vez que a diarreia é a manifestação clínica mais frequente das doenças transmitidas por alimentos.
Patógenos transmitidos por alimentos causaram 2,2 bilhões de casos de doenças diarreicas e 880.000 mortes.
Os pesquisadores estimaram que, globalmente, os 14 patógenos avaliados foram responsáveis por 2,2 bilhões de casos de doenças diarreicas e 880 mil mortes em 2021. O maior número de casos ocorreu no Sudeste Asiático e o maior número de mortes na África Subsaariana, enquanto a Europa registrou o menor número de casos e óbitos.
Um dos pontos mais importantes na atualização dos dados é a mudança na abordagem epidemiológica.
Os novos estudos estão priorizando:
Isso ocorre porque a diarreia representa a principal manifestação clínica das infecções alimentares, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade sanitária.
Essa mudança metodológica amplia a capacidade de identificar e atribuir casos de doença ao consumo de alimentos contaminados.
Uma das descobertas mais relevantes das análises recentes é a mudança no ranking dos principais agentes associados à mortalidade por doenças diarreicas.
Segundo análises recentes associadas ao novo relatório da OMS:
Esses dados reforçam a importância das infecções entéricas no cenário global de doenças transmitidas por alimentos.
As principais causas de doenças diarreica em 2021 foram infecções bacterianas, com exceção do protozoário Giardia, sendo que os seguintes resultados forama encontrados:
Isso representa uma mudança em relação às estimativas anteriores, que classificavam rotavírus e norovírus como as principais causas.
Um aspecto fundamental das doenças transmitidas por alimentos é que sua distribuição não é uniforme no mundo.
A carga global da doença varia significativamente de acordo com fatores como:
Infraestrutura sanitária
Condições socioeconômicas
Cultura alimentar
Por exemplo:
A aparente elevação da carga global das doenças transmitidas por alimentos pode ser explicada por diversos fatores.
Entre os principais:
Melhor vigilância epidemiológica: hoje existem mais sistemas de monitoramento e diagnóstico.
Expansão da base de dados: novos estudos ampliaram o conhecimento sobre patógenos anteriormente subestimados.
Mudança metodológica: o foco nas doenças diarreicas aumenta a capacidade de identificar casos atribuíveis ao alimento.
Crescimento populacional: o aumento da população mundial naturalmente aumenta o número absoluto de casos.
Urbanização e globalização alimentar: cadeias alimentares mais longas e complexas ampliam o risco de contaminação, mudanças de hábitos alimentares.
Os dados reforçam que a segurança dos alimentos continua sendo uma prioridade global.
Eles demonstram que:
A atualização das estimativas globais da OMS representa um passo importante para compreender a real dimensão das doenças transmitidas por alimentos.
Os dados preliminares indicam que a carga global dessas doenças pode ser maior do que se estimava anteriormente, especialmente quando se considera o impacto das doenças diarreicas.
Mais do que um aumento real da incidência, essas novas estimativas refletem também:
Para profissionais da área de alimentos, esses dados são um alerta claro de que segurança dos alimentos é um elemento central da saúde pública global.
World Health Organization (WHO). Estimates of the global burden of foodborne diseases.
World Health Organization. Food safety – Fact Sheet.
Food Safety News. Revised illness estimates point to Shigella’s larger role.
WHO. Second edition of global foodborne disease estimates (expected 2026).
Imagem: Freepik