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A eficácia de um programa de monitoramento ambiental não depende apenas da frequência das coletas ou da escolha dos pontos amostrais. Ela começa, de forma muito mais básica e muitas vezes negligenciada, pelo dispositivo de coleta utilizado.
Um estudo recente publicado na revista Foods e divulgado pelo portal Food Safety Magazine trouxe um alerta relevante para a indústria de alimentos: o uso de swabs de algodão pode comprometer seriamente a detecção de Listeria monocytogenes em ambientes produtivos.
E isso não é um detalhe operacional. É uma falha potencialmente crítica de segurança dos alimentos. Um dos potenciais motivos para trazer resultados que não refletem a realidade.
Quando o método de coleta falha, o risco permanece sem ser identificado
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universitat Politècnica de València, avaliou a recuperação de Listeria spp. e Listeria monocytogenes em uma planta de alimentos prontos para consumo (RTE), comparando dois métodos:
Foram analisados 46 pontos ambientais.
O resultado é, no mínimo, preocupante:
Ou seja: o patógeno estava presente, mas simplesmente não foi detectado quando o método inadequado foi utilizado.
Experimentos controlados in vitro em laboratório corroboraram os resultados obtidos na instalação RTE. Quando testadas contra superfícies de aço inoxidável, Teflon e epóxi inoculadas com L. monocytogenes. Os resultados confirmaram o comportamento observado em campo:
Além disso, mesmo em níveis relativamente altos de contaminação (≈ 4 log UFC/cm²), os swabs:
A explicação está na própria estrutura do material.
Estudos científicos mostram que:
Em outras palavras: O microrganismo até pode ser coletado, mas não é recuperado.
Esse é um ponto crítico em microbiologia ambiental: a coleta e a recuperação.
A gravidade desse achado se intensifica quando consideramos as características de Listeria monocytogenes:
Além disso, a presença ambiental de Listeria está fortemente correlacionada com contaminação de produtos finais, ou seja, falhar na detecção ambiental é falhar na prevenção.
O estudo traz uma implicação prática imediata: um programa de monitoramento pode parecer eficaz, enquanto, na realidade, está cego.
Quando o método de coleta não recupera o microrganismo:
Sabemos que o uso de cotonete é amplo devido, principalmente a diferença de custo entre cotonete e esponja.
Os autores concluíram que os cotonetes não são adequados para a coleta rotineira de amostras de patógenos em ambientes de alimentos prontos para consumo, recomendando seu uso apenas em áreas de difícil acesso onde outros dispositivos não possam ser utilizados.
Os achados do estudo estão alinhados com recomendações já existentes:
Normas como:
já reconhecem que o desempenho do dispositivo de coleta impacta diretamente a eficácia do sistema.
Talvez o aspecto mais perigoso revelado por esse estudo não seja técnico, mas comportamental.
Resultados negativos gerados por métodos ineficazes criam:
Fonte da Imagem: IA
Keli Cristina de Lima Neves é consultora especialista em segurança dos alimentos, fundadora do blog SEMEAR , da BRQuality Consultoria e Laboratório e da Estilo Food Safety.
Contato: keli@brqualityconsultoria.com.br Outros contatos: Instagram:@kelilimaneves Linkedin: Keli Lima Neves