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O amianto, também conhecido como asbesto, é uma fibra de origem natural e foi durante muitos anos considerado um material estratégico para a indústria. Sua resistência ao calor, que permite aguentar até 1000°C, à abrasão e a agentes químicos fez com que fosse amplamente empregado na fabricação de telhas, caixas d’água, materiais de isolamento térmico, componentes automotivos, tubulações e diversos produtos da construção civil.
No entanto, o mesmo material que trouxe benefícios econômicos e industriais passou a ser reconhecido como um dos mais importantes agentes causadores de doenças ocupacionais. Atualmente, há consenso científico de que a exposição às fibras de amianto pode provocar doenças respiratórias graves, além de diferentes tipos de câncer.
Entre as enfermidades mais fortemente associadas à exposição ao amianto destacam-se o mesotelioma maligno de pleura (MMP) e a asbestose. Embora sejam doenças distintas, ambas têm origem no contato com as fibras minerais e podem surgir muitos anos após a exposição.
O principal problema do amianto está em suas fibras microscópicas. Quando materiais que contêm o mineral são manipulados, cortados, perfurados, quebrados ou sofrem desgaste natural, pequenas partículas podem ser liberadas no ambiente.
Essas fibras permanecem suspensas no ar e podem ser facilmente inaladas. Uma vez dentro do organismo, o corpo encontra dificuldades para eliminá-las. Em muitos casos, elas permanecem alojadas nos pulmões ou em tecidos próximos por décadas.
A exposição pode ocorrer de diferentes formas:
Uma das características mais preocupantes das doenças relacionadas ao amianto é o longo período de latência. Entre a exposição e o aparecimento dos sintomas podem se passar 20 ou mais.
O MMP é um câncer raro e agressivo que afeta o mesotélio, membrana responsável pelo revestimento de órgãos e cavidades internas do corpo.
A forma mais frequente é o mesotelioma pleural, que acomete a membrana que envolve os pulmões. Também existem formas mais raras que atingem o peritônio (abdômen), o pericárdio (coração) e a túnica vaginal dos testículos.
Embora seja considerado um câncer raro na população geral, sua relação com a exposição ao amianto é extremamente forte. Estudos indicam que a grande maioria dos casos possui histórico de contato com fibras de amianto.
O desenvolvimento da doença ocorre quando as fibras inaladas alcançam a pleura e desencadeiam processos inflamatórios crônicos que, ao longo dos anos, podem levar a alterações genéticas nas células e ao surgimento do tumor.
Os sintomas costumam surgir de forma lenta e progressiva. Entre os mais comuns estão:
Em muitos casos, o diagnóstico é dificultado porque os sintomas se assemelham aos de outras doenças respiratórias mais frequentes.
O diagnóstico geralmente envolve exames de imagem, como radiografia e tomografia computadorizada, além da realização de biópsia para confirmação da presença de células cancerígenas.
Enquanto o mesotelioma é um câncer, a asbestose é uma doença pulmonar crônica causada pela cicatrização progressiva do tecido pulmonar.
Quando as fibras de amianto chegam aos pulmões, o organismo tenta combatê-las por meio de mecanismos inflamatórios. Como essas partículas são extremamente resistentes, a inflamação pode persistir por anos, provocando a formação de tecido fibroso.
Esse processo é conhecido como fibrose pulmonar. Com o tempo, os pulmões perdem elasticidade e tornam-se menos eficientes para realizar as trocas gasosas necessárias à respiração.
A doença geralmente está relacionada a exposições intensas e prolongadas ao amianto, especialmente em ambientes de trabalho sem medidas adequadas de proteção.
A evolução da asbestose costuma ser lenta. Os sintomas podem demorar décadas para aparecer e incluem:
Nos casos mais avançados, o comprometimento pulmonar pode ser tão significativo que o paciente passa a necessitar de oxigenoterapia.
Embora não exista cura para a asbestose, tratamentos de suporte podem melhorar a qualidade de vida e reduzir o impacto dos sintomas.
Apesar da origem comum, as duas doenças apresentam características bastante distintas.
A asbestose é uma doença pulmonar fibrosante que resulta do dano progressivo causado pelas fibras aos pulmões. Já o mesotelioma é uma neoplasia maligna que surge principalmente na pleura.
Outra diferença importante está no prognóstico. A asbestose é uma condição crônica e irreversível, mas muitos pacientes convivem com a doença durante anos, já que a doença geralmente não afeta a expectativa de vida dos pacientes.. O mesotelioma, por sua vez, costuma apresentar evolução mais agressiva e maiores índices de mortalidade.
Entretanto, ambas compartilham uma característica importante: são consideradas doenças evitáveis, uma vez que sua principal causa é conhecida.
Um dos maiores desafios relacionados ao amianto é que muitas pessoas expostas não apresentam sintomas durante décadas. Por esse motivo, trabalhadores que atuaram em setores com histórico de utilização do mineral devem informar seus médicos sobre essa exposição, mesmo que ela tenha ocorrido há muitos anos.
O acompanhamento periódico permite identificar alterações respiratórias precoces e aumentar as chances de diagnóstico em fases iniciais.
Além disso, o registro e a notificação dos casos são importantes para que as autoridades de saúde possam monitorar os impactos da exposição ao amianto na população.
Fontes:
Imagem: Magnific