Anisaquíase: conheça o “verme do sushi”
A popularização de pratos à base de pescado cru, como sushi, sashimi, ceviche e carpaccio de peixe, trouxe à tona um tema ainda pouco conhecido pelo público: a anisaquíase, uma doença parasitária causada por larvas do gênero Anisakis, popularmente chamadas de “verme do sushi”.
Embora os casos sejam relativamente raros, especialistas alertam que a infecção representa um importante problema de saúde pública em diversas regiões do mundo e tem despertado crescente atenção de autoridades sanitárias e pesquisadores. Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), a anisaquíase é considerada uma das principais zoonoses transmitidas por pescado.
O que é a anisaquíase?
A doença ocorre quando uma pessoa consome peixe ou lula crus, mal cozidos, marinados, salgados ou defumados contendo larvas viáveis de Anisakis. Os seres humanos são hospedeiros acidentais do parasita, que naturalmente completa seu ciclo de vida em mamíferos marinhos, como baleias e golfinhos.
Após serem ingeridas, as larvas podem penetrar a parede do trato gastrointestinal, provocando uma resposta inflamatória que pode resultar em sintomas intensos poucas horas após a refeição.
Entre os sinais mais comuns estão:
- Dor abdominal aguda;
- Náuseas e vômitos;
- Diarreia;
- Distensão abdominal;
- Sensação de desconforto gastrointestinal.
Em alguns casos, os sintomas podem ser confundidos com gastrite, apendicite, úlcera ou outras doenças digestivas, dificultando o diagnóstico.
Risco de alergias
Um aspecto que preocupa os especialistas é a capacidade do Anisakis de desencadear reações alérgicas.
Segundo a EFSA, indivíduos sensibilizados podem apresentar urticária, angioedema e até quadros graves de anafilaxia. Diferentemente da infecção intestinal, a reação alérgica nem sempre depende da presença de larvas vivas, podendo ser provocada por proteínas do parasita presentes no pescado.
Esse fator torna o controle do risco ainda mais complexo, uma vez que a morte da larva nem sempre elimina completamente o potencial alergênico do alimento.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico costuma ser realizado a partir da avaliação clínica e do histórico alimentar do paciente, especialmente quando há relato recente de consumo de pescado cru ou insuficientemente cozido.
De acordo com especialistas, a endoscopia é um dos métodos mais eficazes para confirmação da doença, permitindo visualizar e remover diretamente as larvas presentes no estômago. Em situações mais raras, quando o parasita migra para outras regiões do trato digestivo, pode haver necessidade de procedimentos cirúrgicos. O tratamento antiparasitário pode ser utilizado em alguns casos, mas a remoção física do verme continua sendo a principal abordagem terapêutica.
O aumento do consumo de pescado cru amplia a atenção ao problema
A EFSA destaca que o número de notificações de anisaquíase tem aumentado nas últimas décadas. Entre os fatores apontados estão a maior popularidade de alimentos crus ou minimamente processados, o aprimoramento dos métodos diagnósticos e o fortalecimento dos programas de inspeção de produtos pesqueiros.
Além dos impactos à saúde, a presença de larvas em pescados pode gerar prejuízos econômicos para a cadeia produtiva, devido à rejeição de lotes contaminados e à redução da confiança dos consumidores.
Como prevenir?
A principal medida de prevenção é garantir que o pescado destinado ao consumo cru passe por processos adequados de congelamento capazes de eliminar as larvas.
As orientações da FDA estabelecem que os peixes devem ser submetidos a temperaturas e períodos específicos de congelamento antes de serem consumidos crus. Entre os protocolos recomendados estão o congelamento a -20°C por sete dias ou a -35°C por pelo menos 15 horas, condições consideradas eficazes para inativar os parasitas.
Especialistas também alertam que métodos como marinadas ácidas, utilizadas no preparo de ceviche, não são suficientes para eliminar as larvas de Anisakis.
Por isso, consumidores devem priorizar estabelecimentos que sigam rigorosamente as normas sanitárias e adquiram pescado de fornecedores confiáveis.
Um risco que exige informação
Embora a anisaquíase continue sendo uma doença relativamente pouco conhecida fora do meio científico, o aumento do consumo de pescado cru torna o tema cada vez mais relevante para consumidores, profissionais de saúde e a indústria de alimentos.
O conhecimento sobre os riscos associados ao parasita e a adoção de boas práticas de processamento e conservação do pescado são fundamentais para garantir que alimentos como sushi e sashimi possam ser consumidos com segurança.
Fontes:
- Revista AdNormas
- FDA
-
, , e , 2022. Segurança dos frutos do mar e zoonoses transmitidas por alimentos provenientes de peixes . EFSA Journal 2022; 20 ( S1 ):e200409, 10 pp. https://doi.org/10.2903/j.efsa.2022.e200409
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