Banco de dados perigos químicos

Banco de dados perigos químicos – OpenFoodTox 3.0: o banco de dados europeu de segurança química que todo profissional de alimentos deveria conhecer

 

O que é o OpenFoodTox?

Quando falamos em segurança dos alimentos, os perigos microbiológicos costumam ganhar mais atenção. Mas os perigos químicos: aditivos, metais, pesticidas, antibióticos, agrotóxicos, toxinas, etc, são igualmente relevantes para a saúde pública e merecem o mesmo rigor científico nas avaliações de risco.

Vimos nos resultados das novas pesquisas divulgadas pela FAO que apesar dos contaminantes microbiológicos estarem envolvidos com o maior numero de casos de doenças transmitidas por alimentos, são os contaminantes químicos os responsáveis pela maior mortalidade. Lembrando que muitos contaminantes químicos não possuem efeito imediato e sim acumulativo.

É exatamente para isso que existe o OpenFoodTox: um banco de dados público, gratuito e de acesso aberto mantido pela EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos), que reúne informações toxicológicas estruturadas sobre milhares de substâncias químicas presentes na cadeia alimentar.

Em abril de 2026, a EFSA lançou a versão mais recente: o OpenFoodTox 3.0, com melhorias significativas em relação às edições anteriores.

As avaliações de risco da EFSA são amplamente reconhecidas pela comunidade científica global e frequentemente embasam decisões regulatórias em outros países, incluindo o Brasil.

Para pesquisadores, toxicologistas, nutricionistas e gestores de segurança de alimentos, o OpenFoodTox é uma fonte de referência essencial.

 

O que há dentro do OpenFoodTox 3.0?

A versão 3.0 contém dados estruturados extraídos de mais de 2.650 opiniões científicas, declarações e conclusões publicadas pelos painéis científicos da EFSA. Os dados cobrem:

  • Caracterização das substâncias — identificadores, denominações, estrutura química
  • Avaliações de saúde humana — efeitos toxicológicos, pontos de referência, valores-guia
  • Avaliações de saúde animal — toxicidade em espécies-alvo e não-alvo
  • Avaliações ecotoxicológicas — impacto ambiental das substâncias
  • Propriedades físico-químicas — solubilidade, volatilidade, estabilidade
  • Dados de toxicocinética e ADME — como o organismo absorve, distribui, metaboliza e elimina as substâncias
  • Comportamento ambiental — persistência e mobilidade no ambiente (novidade no 3.0)

Em números, o banco de dados conta com:

Dado Quantidade
Substâncias distintas (incluindo constituintes e metabólitos) 7.880
Resultados de estudos (saúde humana, animal e ambiental) 45.682
Valores toxicológicos de referência usados pela EFSA 19.452

O que há de novo na versão 3.0?

O OpenFoodTox 3.0 trouxe mudanças importantes em relação às versões anteriores:

  1. Migração completa para o IUCLID 6: o banco de dados foi integralmente migrado para o padrão internacional IUCLID 6 (International Uniform Chemical Information Database), o que garante maior padronização, interoperabilidade com outras plataformas regulatórias e alinhamento com o sistema de dados da União Europeia para substâncias químicas.
  2. Novos endpoints ambientais: foram incorporadas informações sobre comportamento ambiental e destino das substâncias no ambiente, ampliando o escopo para além da toxicologia clássica.
  3. Apoio a Novas Abordagens Metodológicas (NAMs): o banco de dados está sendo utilizado como base para o desenvolvimento de modelos in sílico, ferramentas computacionais que reduzem a necessidade de testes em animais. Vários modelos derivados do OpenFoodTox já foram publicados e outros estão em desenvolvimento em plataformas de modelagem e read-across.

 

Quais substâncias estão cobertas?

O OpenFoodTox abrange as principais categorias de substâncias avaliadas pela EFSA:

  • Aditivos alimentares e aromatizantes
  • Pesticidas (substâncias ativas e seus resíduos)
  • Contaminantes (micotoxinas, metais pesados, dioxinas, entre outros)
  • Materiais em contato com alimentos (embalagens, utensílios)
  • Aditivos para rações animais
  • Nutrientes (vitaminas, minerais, em doses de avaliação de segurança)

 

Como acessar o OpenFoodTox 3.0?

O banco de dados é de acesso totalmente gratuito, disponível sob a licença Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0). Você pode acessá-lo por três caminhos:

Download dos dados completos (Zenodo)

O repositório no Zenodo oferece os arquivos para download direto, tanto no formato IUCLID 6 (.zip) quanto em planilha Excel (.xlsx):

https://zenodo.org/records/19388272

Relatório científico completo (EFSA Journal)

A publicação oficial que descreve toda a metodologia e o conteúdo do OpenFoodTox 3.0:

https://efsa.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.2903/sp.efsa.2026.EN-10099

Página de dados da EFSA

Portal oficial da EFSA com informações sobre o banco de dados e links de acesso:

https://www.efsa.europa.eu/en/data-report/chemical-hazards-database-openfoodtox

 

Para quem é útil?

O OpenFoodTox pode beneficiar diferentes perfis profissionais:

  • Profissionais de segurança de alimentos: consultar valores toxicológicos de referência e a base regulatória europeia para substâncias específicas
  • Pesquisadores e toxicologistas: acessar dados estruturados para modelagem computacional, análise estatística e estudos comparativos
  • Indústria alimentícia: verificar o perfil de segurança de aditivos, contaminantes e materiais de embalagem à luz das avaliações da EFSA
  • Empresas exportadoras: entender os critérios técnicos que embasam os limites máximos e as restrições na União Europeia
  • Reguladores e formuladores de políticas: utilizar dados como referência para harmonização regulatória

 

Uma ferramenta para um futuro baseado em dados

A segurança dos alimentos não pode ser conduzida sem dados. O OpenFoodTox representa um passo importante na direção de um ecossistema regulatório mais transparente, acessível e baseado em ciência aberta. Ao disponibilizar gratuitamente décadas de avaliações de risco, a EFSA contribui para que pesquisadores, reguladores e profissionais ao redor do mundo possam tomar decisões mais informadas.

 

No Semear, acreditamos que o acesso à informação é o primeiro passo para transformar a cultura de segurança dos alimentos. Conhecer ferramentas como o OpenFoodTox é parte desse caminho.

Juntos, semeamos conhecimento para colher um futuro mais seguro.

 

Painel para pesquisa de contaminantes Anvisa.

Referências

  1. Benfenati, E. et al. (2026). Further development and update of EFSA’s Chemical Hazards database: OpenFoodTox 3.0. EFSA Supporting Publications, 23(4): EN-10099. 🔗 https://efsa.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.2903/sp.efsa.2026.EN-10099
  2. EFSA (2026). OpenFoodTox 3.0 — Chemical Hazards Database. Zenodo. 🔗 https://zenodo.org/records/19388272
  3. EFSA (2026). Chemical Hazards Database — OpenFoodTox. Página oficial da EFSA. 🔗 https://www.efsa.europa.eu/en/data-report/chemical-hazards-database-openfoodtox
  4. Food Safety Magazine Editorial Team (2026). Updated EU Food Chemical Safety Information Database Now Available. Food Safety Magazine, 7 de maio de 2026. 🔗 https://www.food-safety.com/articles/11413-updated-eu-food-chemical-safety-information-database-now-available
  5. Dorne, J-L. et al. (2021). EFSA’s OpenFoodTox: An open source toxicological database on chemicals in food and feed and its future developments. Environment International, 146: 106293. 🔗 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33395940/
  6. EFSA (2017). OpenFoodTox: EFSA’s new one-click tool for information on chemical hazards. EFSA News. 🔗 https://www.efsa.europa.eu/en/press/news/170118-0
Keli Lima
Keli Lima

CEO da BR Quality e Estilo Food Safety, especialista em Qualidade e Segurança dos Alimentos. Atua como consultora, mentora e auditora líder em normas de Food Safety e ESG.

Acessar o conteúdo