Confiança dos americanos na segurança dos alimentos cai ao menor nível já registrado

Confiança dos americanos na segurança dos alimentos cai ao menor nível já registrado

Pesquisa da Gallup mostra queda na confiança nos supermercados, enquanto cresce o número de pessoas que evitam alimentos após recalls

A confiança dos consumidores americanos na segurança dos alimentos atingiu o ponto mais baixo da série histórica da Gallup. Segundo a pesquisa divulgada em 8 de outubro de 2026, 65% dos adultos dizem estar muito ou um pouco confiantes de que os alimentos vendidos na maioria dos supermercados são seguros. O índice era de 73% em 2025 e 72% em 2024, e chegou a 81% em 2019. A queda acumulada desde 2019 é de 16 pontos percentuais.

Menos confiança nos supermercados

A erosão aparece nos dois níveis de confiança. A parcela dos “muito confiantes” caiu de 31% para 23% desde 2019, e a dos “um pouco confiantes”, de 50% para 42%. No mesmo período, quem se diz pouco ou nada confiante passou de 18% para 34%. Em 2026, são 24% “pouco confiantes” e 10% “nada confiantes”, contra 15% e 3% em 2019.

A pesquisa foi realizada enquanto terminava um grande surto de ciclosporíase nos Estados Unidos, iniciado em junho e encerrado oficialmente em 11 de setembro. A Gallup o descreve como o maior já registrado no país, com mais de 12 mil pessoas doentes em 21 estados. A cobertura da imprensa se concentrou em produtos servidos em alguns restaurantes, mas os americanos avaliam a segurança de restaurantes e supermercados de forma parecida. Na primeira medição da Gallup sobre restaurantes, 66% se dizem confiantes (20% muito e 46% um pouco) e 33% não têm muita ou nenhuma confiança.

Consumidores mudam de comportamento

A pesquisa também perguntou o que os americanos fizeram no último ano em resposta a alertas ou recalls de alimentos:

  • 73% evitaram comprar certas marcas ou tipos de alimento, contra 53% em 2024 (alta de 20 pontos). O número supera os de 2007 (62%) e 2008 (60%), anos de grandes problemas de segurança dos alimentos.
  • 45% jogaram fora ou devolveram algum produto à loja, contra 37% em 2024.
  • 42% se preocuparam com a possibilidade de ter comido algo contaminado, o maior índice da série. Em 2024 eram 26%, e em 2007 e 2008, 26% e 25%.

O que os números indicam

Para a Gallup, os comportamentos dos consumidores parecem responder mais à ameaça de adoecer do que à política. Os índices de quem evita alimentos e de quem teme contaminação subiram em todos os grupos partidários desde 2024. A parcela que se preocupa com a possibilidade de ter comido algo contaminado, hoje em 42%, era de cerca de um quarto dos adultos em 2007, 2008 e 2024. Isso sugere que os americanos, de qualquer orientação política, se sentem pessoalmente mais expostos ao risco.

Metodologia

Os dados sobre segurança dos alimentos e precauções vêm de entrevistas por telefone feitas pela ReconMR de 1º a 17 de setembro de 2026, com uma amostra aleatória de 1.000 adultos com 18 anos ou mais, nos 50 estados e no Distrito de Columbia. Os resultados sobre compras em supermercados e refeições fora de casa vêm de entrevistas de 1º a 19 de julho de 2026, com 1.200 adultos. Nos dois levantamentos, a margem de erro amostral é de ±4 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Fonte: Gallup, “Americans’ Confidence in Food Safety Drops to New Low”, por Lydia Saad, 8 de outubro de 2026. Todos os dados se referem a adultos dos Estados Unidos.

Keli Lima
Keli Lima

CEO da BR Quality e Estilo Food Safety, especialista em Qualidade e Segurança dos Alimentos. Atua como consultora, mentora e auditora líder em normas de Food Safety e ESG.

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