Conhecimento que Transforma
a Segurança dos Alimentos!
Juntos, semeamos conhecimento para colher um futuro mais seguro

Pesquisadores da Unicamp e da USP identificaram o arsenal químico utilizado pelo patógeno para superar os mecanismos de defesa de frutas cítricas, como laranjas, limões e tangerinas. A descoberta representa um passo importante para o desenvolvimento de estratégias de controle do fungo sem a necessidade do uso de agrotóxicos.
Popularmente conhecido como “mofo azul”, esse fungo é uma das principais pragas da citricultura brasileira, ficando atrás apenas do mofo verde (P. digitatum), responsável por até 90% das perdas pós-colheita em regiões tropicais.
O fungo se instala na casca dos frutos e libera moléculas químicas capazes de neutralizar tanto os mecanismos de defesa da planta quanto os microrganismos benéficos presentes em sua superfície.
Atualmente, o controle do mofo azul é realizado principalmente por meio de fungicidas sintéticos, como imazalil e tiabendazol. No entanto, o uso desses produtos gera preocupações relacionadas aos impactos ambientais e ao desenvolvimento de resistência pelo patógeno.
Apesar da relevância econômica desse microrganismo para o setor citrícola — especialmente considerando que o Brasil é o maior produtor mundial de laranjas e líder na exportação de suco da fruta —, o mofo azul ainda recebe relativamente pouca atenção em pesquisas voltadas ao desenvolvimento de novas estratégias de controle.
Os cientistas analisaram o conjunto de substâncias químicas produzidas pelo patógeno durante a infecção dos frutos utilizando técnicas avançadas de metabolômica, área que permite identificar e estudar os produtos gerados pelo metabolismo dos organismos. A abordagem possibilitou a identificação de compostos essenciais para o desenvolvimento da infecção.
O estudo também revelou que o patógeno se estabelece na casca dos frutos por meio de microlesões, após degradar a parede celular com a ação de enzimas. Em resposta, a fruta produz substâncias antifúngicas naturais como mecanismo de defesa. No entanto, o fungo consegue neutralizar essa resposta ao liberar seus próprios metabólitos bioativos, garantindo o avanço da infecção.
Por meio de técnicas de imageamento por espectrometria de massa, foi possível mapear a distribuição espacial das moléculas durante o processo de infecção. Os resultados levaram os pesquisadores à conclusão de que o patógeno não apenas combate os mecanismos de defesa da fruta, mas também os microrganismos benéficos que habitam sua superfície.
A identificação dessas moléculas abre caminho para o desenvolvimento de estratégias de controle mais específicas e eficientes. Com isso, os pesquisadores demonstram otimismo em relação aos próximos avanços no combate ao mofo azul.
Fonte: Agência Fapesp