carne com ouro

Afinal, é seguro comer alimentos banhados a ouro?

Um assunto que movimentou as redes sociais nos últimos dias é o dos jogadores da Seleção do Brasil jantando num restaurante do Catar que serve carnes com folhas de ouro. O local é o “point” dos milionários e jogadores no Catar, o restaurante Doha, do popular chef-celebridade Nusret Gökçe. Mas a pergunta que não quer calar é: afinal, é seguro comer alimentos banhados?

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A relação desse metal com a comida vem de muito tempo, há 5 mil anos, por exemplo, os egípcios ingeriam ouro porque acreditavam que o metal tinha algum poder de purificação do corpo e da mente. Ao longo dos séculos, o ouro passou a ser sinônimo de riqueza, de mérito (no caso das medalhas olímpicas), ou em demonstrações de importância nas relações afetivas, nos casos das joias.

Estudos sobre o tema ainda são necessários

No entanto, o formato do metal é diferente dos usados nas joias, em que geralmente há mistura com outros elementos — níquel e alumínio, por exemplo. Na alimentação, são usadas folhas, flocos ou pó de ouro 24 quilates. Nenhum dos formatos têm gosto. A carne que os jogadores comeram no Qatar é envolta com as folhas, semelhantes a um papel alumínio, porém bem mais finas.

“Ouro comestível é puro, sem mistura com outros metais. No nosso corpo, ouro não é absorvido, não tem nenhum sítio de absorção, tanto no estômago, intestino. Nenhuma enzima ou suco gástrico. Entra ouro e sai ouro”, explica Flavia Auler, coordenadora do curso de nutrição da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná). O processo é diferente de outros metais, como ferro e zinco, capazes de intoxicar. Outro ponto é que nenhuma reação química do organismo humano depende do ouro. Isso reforça que a sua ingestão não teria nenhuma repercussão, seja benefício, malefício e até mesmo valor nutricional, diz Auler. “O uso é mais uma reação cultural e até de ostentação”, afirma.

Sem ingestão frequente

Segundo o cirurgião cardiovascular e orientador em nutrologia Edmo Atique Gabriel, o consumo esporádico não preocupa. Porém, é recomendável evitar que a prática se torne um hábito. “A recomendação seria não ter ingestão frequente. Não deve ser prática usual, até pela falta de propósito, porque o ouro não deixa o alimento mais gostoso. Seria muito atípico ter hábito de se alimentar com carne com ouro”, afirma o também colunista de VivaBem. O médico explica que ainda não existe nenhuma diretriz sobre o consumo de produtos com ouro 24 quilates por ausência de estudos.

Uso do ouro na culinária está ligado ao símbolo de poder e status que a substância carrega

Jorge Herman Behrens, especialista em Tecnologia de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que, principalmente na culinária francesa e na do Oriente Médio, folhas de ouro comestíveis são usadas para decorar uma variedade de pratos. E isso não é algo recente. Behrens, que também é professor de ciência sensorial e estudos do consumidor, diz que esse uso do ouro na culinária está ligado ao símbolo de poder e status que a substância carrega.

Na quantidade em que é colocado nesses pratos de comida, Behrens explica que a substância, na verdade, dá apenas um aspecto dourado e uma textura diferente, funcionando como uma peça a mais de informação. “[Nesses pratos] o ouro não imprime sabor. Não tem um gosto característico. Tem é um efeito psicológico. É uma experiência sensorial que vai ficar gravada na sua memória”, diz ele. “O ouro é apenas a finalização. O todo é maior que a soma das partes. Nesses casos, você vai perceber mais o aroma, o sabor e a textura do alimento, como a carne”, acrescenta.

Fonte: Uol, G1Uol 2. Clique e saiba mais!

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