responsabilidade

Cultura de Segurança de alimentos- Terceira dimensão: Senso de Responsabilidade

Por: Débora Julião   #culturadesegurançadosalimentos Você sabe o que é Senso de responsabilidade?    

O que o está previsto no Posicionamento do GFSI:

 

6.1. Senso de responsabilidade

Para garantir um sistema de Segurança de Alimentos consistente, é essencial que todos os colaboradores tenham suas responsabilidades claramente definidas. Isso permite que os indivíduos assumam a responsabilidade apropriada pelas decisões e ações relacionadas à Segurança de Alimentos e suas consequências. O senso de responsabilidade individual inclui o reconhecimento das ações, produtos, decisões e políticas sob sua responsabilidade, dentro do escopo de seu papel ou função e engloba uma obrigação de relatar e explicar as consequências resultantes. Responsabilidades devem ser interconectadas em um nível organizacional. Por exemplo, um colaborador deve saber para onde encaminhar questões relacionadas à Segurança de Alimentos além de suas responsabilidades. Responsabilidades devem ser consistentes com os níveis de autoridade. Por exemplo, deve ficar claro quem decide por fazer retrabalhos ou rejeitar lotes não conformes. Dentro do contexto da Cultura de Segurança de Alimentos, é importante que os valores e crenças de todos não entrem em conflito com suas responsabilidades.  

Contribuição SEMEAR sobre Senso de Responsabilidade

  O primeiro ponto relevante para reflexão quando o assunto é responsabilidade é que trata-se de um atributo não treinável, em sua essência. Observe que uma pessoa com esta capacidade (ou senso) não escolhe dia, hora, ou circunstância pra ser responsável, ela é, independente do contexto. Responsabilidade é valor (ético/ moral) de pessoas maduras e cognitivamente autônomas, ou seja, o senso de responsabilidade que elas externam no ambiente profissional, é o mesmo que elas externam em casa, na rua, na pizzaria, com seus filhos, com os filhos dos outros, à luz do sol ou da lua, no planeta Terra ou em Marte, ganhando muito, ganhando pouco ou ganhando nada! Como costumo dizer: profissionais de sucesso são pessoas que deram certo. Contudo, estas pessoas, podem ter sérias dificuldades pra externarem com excelência este senso de responsabilidade para com programas em ambientes organizacionais que envolvam regras, normas, padrões, não por desvio de caráter ou má vontade (elas não sabem o que é isso!), mas por comprometimento de outros elementos que ficam sob a tutelada da empresa e que impactam diretamente na capacidade de externar senso de responsabilidade. Então, chegamos a um paradoxo: quando o resultado do meu senso de responsabilidade depende de um conjunto de responsabilidades alheias e que se movimentam sob a batuta de maestros externos (fora do meu mundo mental), então a responsabilidade precisa ser vista como uma habilidade corporativa, sendo, portanto, absolutamente e necessariamente treinável!   Resumo aqui: eu posso ter a responsabilidade como atributo (está em mim, trouxe do berço – PERFIL PROATIVO) e não conseguir praticá-la como eu gostaria no ambiente organizacional (não tenho habilidade pra isso, por questões alheias à minha vontade e que discutiremos logo mais) ou posso não ter responsabilidade como atributo mas, por pressão externa ter que desenvolver esta habilidade pra continuar no contexto (manter o emprego – PERFIL REATIVO). A diferença entre a primeira pessoa e a segunda é que a primeira fará o que é certo e muito mais, ainda que ninguém esteja olhando, desde que tenha condições para tal e a segunda pessoa só fará o que é requerido, se for supervisionada. Infelizmente, pessoas com o primeiro perfil compõem uma parcela reduzida da população. Assim, a primeira conclusão que faço aqui é: independente dos perfis de colaboradores que compõem a organização, você, profissional de segurança dos alimentos, terá que treinar as pessoas para fazer acontecer, trabalhando sempre no sentido de facilitar a execução, sabendo que só terá uma pouco mais de “oxigenação” no seu desafio diário quando conseguir identificar e inspirar os proativos, desafiar e desenvolver os reativos. Não há receita de bolo pra isso, mas há conhecimentos que podem trazer muita luz na sua trajetória.  

Porque, então, pessoas que tem responsabilidade como atributo, sentem-se, muitas vezes, incapazes de dar o resultado desejado?

  É preciso aqui entender a importância da responsabilidade individual como pressuposto para a existência de uma responsabilidade coletiva. É o que dizem os mais renomados teóricos contemporâneos e a minha experiência de quase 20 anos com desenvolvimento humano e organizacional aponta para uma constatação intrigante: o vice e versa acontece aqui: responsabilidade coletiva também é pressuposto básico para o RESULTADO da responsabilidade individual. Ou seja: o senso de responsabilidade apenas de um ou de alguns pode ser inócuo na organização! Empresas são organismos vivos, totalmente dependentes do desempenho das áreas, dos especialistas e dos relacionamentos entre estas  áreas e estes especialistas para gerar um resultado único. Apenas um ou alguns fazendo muito bem sua parte, não funciona!   Um exemplo muito forte que marcou minha carreira e me despertou ainda mais para o olhar sistêmico das organizações, aconteceu durante um programa de treinamento comportamental com times operacionais. Trabalhamos senso ético (responsabilidade pura!), empatia, colaboração, foco no resultado da empresa, pro-atividade. Citamos exemplos e mais exemplos, estudamos cases e reafirmamos enfaticamente o conceito “acerto de um, sucesso de todos; erro de um, fracasso de todos!” Os participantes saíam da sala de treinamento empolgados, com brilho nos olhos, a chama interna pra fazer acontecer acesa em todo o seu esplendor. Certo dia, um operador me procurou durante um intervalo entre os treinamentos pra compartilhar comigo sua frustração, ao tentar colocar em prática o que ele aprendera conosco sobre responsabilidade pela qualidade e ouvir do seu gestor que ele não era pago pra pensar e sim para fazer, contrariando assim, a demanda que havia gerado o treinamento, que era justamente, desenvolver nas pessoas o senso de responsabilidade. Veja: eu estava diante de uma pessoa que trazia responsabilidade como atributo, estava disposta a fazer acontecer, mas não poderia externar este senso de responsabilidade como era capaz, por estar sob a batuta de um maestro que não lhe favorecia um desempenho de excelência! Senso de responsabilidade, principalmente no segmento alimentício, precisa ser VALOR da empresa, sistematicamente anunciado, apregoado, treinado, medido, ensinado, revisto, acompanhado, reconhecido, reafirmado, relembrado, perseguido, alimentado! Indústria de alimentos não tem uma segunda chance para errar. Saiba mais sobre o senso de propósito, e tenha colaboradores mais felizes e motivados Neste sentido, trabalhar fortemente a liderança, a visão sistêmica, e o espírito colaborativo além do desenvolvimento e fortalecimento do senso de responsabilidade e de todos os elementos citados no texto acima, é imprescindível para o sucesso em segurança dos alimentos. Como dito anteriormente: não tem receita de bolo aqui; tem trabalho! Muito trabalho!            

Adicione um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

dezoito − onze =