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Segurança dos Alimentos e o olhar do consumidor

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Por: Henrique de Castro Neves   #falandocomconsumidor #culturadesegurançadosalimentos   A segurança dos alimentos sempre esteve na pauta da indústria de alimentos, mais recentemente tem havido ainda mais energia concentrada no tema cultura da segurança dos alimentos, contudo, este assunto ainda é de pouco conhecimento do consumidor ou público geral, que não domina temas técnicos e tomam suas decisões com base em valores, seus sentimentos e crenças. Muito além de simplesmente olhar a validade do produto, garantir que se está ingerindo um alimento seguro ou mesmo dando de comer a familiares ou entes queridos, com a certeza de que ninguém vai passar algo é algo ligeiramente complexo, mas que com informação e alguns poucos minutos de leitura pode ser tornar algo claro e sem tantos mitos. Existe ainda muita confusão entre as expressões “segurança dos alimentos” e “segurança alimentar”, mesmo entre profissionais da área. Esclarecendo de forma extremamente breve e objetiva, sempre que falamos de segurança dos alimentos, estamos nos referindo ao quão seguro é o alimento do ponto de vista da saúde de quem ingere, ou seja, se não há nenhum contaminante físico (pedaço de metal ou outro corpo estranho), nenhum produto químico perigoso (resíduos de produtos de limpeza, por exemplo) ou nenhum microrganismo patogênico (aquelas capazes de produzir toxinas), em resumo, nada que faça o indivíduo passar mal ou vir a óbito após o consumo. Já a segurança alimentar pode ser definida como o conjunto de políticas – públicas ou privadas – para garantir que não falte alimentos às pessoas, em outras palavras, se há alimentos disponíveis, acessíveis às populações, se são recursos naturais ou produzidos e por último, mas não menos importante, se são de qualidade e seguros para o consumo. Com o devido esclarecimento de conceitos importantes para tratarmos deste tema, vamos voltar à questão da percepção versus a realidade, afinal, estamos falando de pessoas e nem todos são especialistas em tudo, na verdade, grande parte da população é mais influenciada em sua tomada de decisão para a compra de alimentos e bebidas pelas publicidades e indicações de amigos ou conhecidos do que após realizar uma análise crítica do rótulo dos produtos. Reforçando essa curiosidade, em 2015, a Hanh Public realizou uma pesquisa com consumidores, perguntando aos entrevistados qual o alimento trazia maior preocupação em relação à segurança ao ser ingerido, ou seja, qual a comida que trazia maior receio em passar mal. O levantamento constatou que 47% do público sinalizou que o maior receio é com os frutos do mar, seguido de carnes em geral (41,8%) e refeições preparadas e compradas prontas (34.8%). Note que há uma enorme influência empírica na opinião das pessoas, afinal, se analisarmos os dados de pesquisas da comunidade médica, alimentos frescos e lácteos são as fontes mais comuns de surtos e doenças transmitidas por alimentos e foram apontadas na pesquisa por cerca de um quarto dos entrevistados (24,7% alimentos frescos e 24,6% lácteos). Se você ficou curioso para saber qual alimento foi considerado o mais seguro pelos entrevistado, talvez fique igualmente surpreso ao saber que trata-se de uma tecnologia centenária, mais precisamente de 1795, é isso mesmo, você não leu errado, pois estamos falando dos alimentos enlatados, que foram desenvolvidos no final do século XVIII e só foram considerados perigosos por 13,6% dos entrevistados no levantamento citado. Vivemos um momento de muitas incertezas, com a pandemia da COVID19 e enquanto as vacinas não se tornam uma realidade para a maioria da população, muitos consumidores latino-americanos demonstram enorme preocupação com os níveis de estresse em suas famílias, o que vem interferindo nos padrões de consumo destas populações. Em uma pesquisa realizada em julho de 2020 pela Mintel, o Chile foi considerado o país onde tal receio é o maior, tendo sido apontado por 54% dos entrevistados. O Brasil é o quinto colocado, com 43% dos respondentes tendo confirmado tal inquietude. Mas e qual o impacto disso no consumo!? No mesmo período, grandes marcas vêm sendo substituídas por fabricantes locais, até então considerados inexpressivos ou irrelevantes na concorrência tradicional. Mais precisamente 23% dos brasileiros fizeram tal troca até junho de 2020, tendência esta com viés de crescimento, uma vez que 37% dos brasileiros sinalizaram que tem intenção de realizar a substituição, passando a dar preferência pelo “feito localmente”, não só por uma questão de menor preço, mas também pela sensação de ajudar o próximo e ingerir algo mais artesanal, o que é interpretado pelo consumidor como mais saudável.

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