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Contaminação química é detectada em doces

Um estudo realizado pela equipe do Departamento de Física da Universidade Federal de Juiz de Fora identificou a presença de alguns metais em doces, as embalagens, aparentemente inofensivas, foram apontadas como a causa da contaminação.

 

Para traçar essa relação, os pesquisadores utilizaram amostras de balas de mascar de diferentes sabores e usando o SEM/EDS realizaram as análises no Laboratório de Instrumentação e Simulação de Computações Científicas Aplicadas (LISComp), localizada no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ).

 

Foi constatado que a tinta utilizada na embalagem adere ao corpo da bala ocorrendo a contaminação química. Titânio, alumínio e ferro foram os principais metais encontrados.

 

(…) Os resultados obtidos no presente estudo são bastante informativos e ao mesmo tempo inesperados, uma vez que a migração e transferência efetiva de componentes desde a tinta da embalagem até o corpo dos doces foram identificados, e, devido à sua toxicidade, não devem de forma alguma estar presentes na comida. Os doces mastigáveis com resíduos visíveis de tinta na superfície representaram 15% do total. A área impressa no plástico das embalagens dos doces continham várias cores, mas as cores que predominaram na transferência para os doces foram: vermelho, branco e preto.

 

O estudo indicou inclusive os níveis de espectros em cada camada dos doces estudados. Com essa abordagem, foi possível comparar os metais e quantidades e chegar numa hipótese das causas dessa transferência da tinta da embalagem para a superfície e até o interior da bala. Como conclusão colocaram o citado abaixo.

 

(…) Através do espectro fornecido pelo sistema SEM/EDS foi possível identificar os elementos químicos que constituíam um conjunto de diversos sabores embalados com plásticos impressos. Na composição das tintas das embalagens que as envolvem também foram identificados. Verificou-se que a metodologia de embrulho e as tintas utilizadas podem contaminar os doces com compostos metálicos. Os principais contaminantes encontrados foram titânio, alumínio e ferro. A presença desses metais pode ser devido a altas temperaturas durante o transporte e/ou armazenamento, bem como o ressecamento causado pelo envelhecimento da pintura, choque mecânico ou atrito entre doces. Em um lote específico foi verificado a presença de chumbo no doce muito provavelmente por contaminação no processo industrial. Os resultados evidenciaram SEM/EDS como uma ferramenta interessante para a análise de metais em alimentos sendo fácil de operar, portátil e não destrutivo. Este trabalho constitui um alerta aos órgãos de fiscalização alimentar bem como ao controle de qualidade e segurança dos alimentos da indústria.

 

Como o próprio artigo diz, fica um alerta para essa problematização, já que algo que não deveria estar presente foi detectado. Ainda não se sabe ao certo quais os malefícios que podem ser causados principalmente a longo prazo e com a frequência no consumo, porque apesar dos baixos níveis, esses metais são considerados tóxicos para a saúde humana. Fica visível então a importância desse estudo. Concluído isso, ficam as reflexões: O que pode acontecer futuramente com essa contaminação? E o que pode ser evitado com o controle de segurança dos alimentos?

 

Sabemos que existem legislações específicas sobre os materiais que entram em contato com o alimento e que análises de migração dos compostos da embalagem (incluindo os corantes) para o alimento, devem ser realizados.

 
Importante: ter apenas um certificado de migração do material não é suficiente, o teste de migração deve ser realizado na condição mais crítica que o produto em questão será submetido, ou seja, temperatura, tempo de exposição, etc, devem ser considerados no teste de migração.

Pesquisa realizada pelos pesquisadores:

Leandro da ConceiçãoLuiza, Maria José ValenzuelaBella, Rafaela TavaresBatistab, Renato Pereira deFreitasc, Roney Alves daRochad, Silvino IntraMoreirad, Moyses NavesMoraese, Virgílio de Carvalho dosAnjosa

a. Department of Physics, Federal University of Juiz de Fora (UFJF), Engineering and Spectroscopy of Materials Group, R. José Lourenço Kelmer, Juiz de Fora, CEP 36036-900, Juiz de For a, MG, Brazil

b. Federal Institute of Education, Science and Technology of Rio de Janeiro, Eng. Paulo de Frontin Campus, Av. Maria Luiza, S/N, 26660-000, Eng. Paulo de Frontin, RJ, Brazil

c. Federal Institute of Education, Science and Technology of Rio de Janeiro (IFRJ), Paracambi Campus, Sebastião de Lacerda Street, S/N, Paracambi, 26600-000, Paracambi, RJ, Brazil

d. Department of Food Sciences, Federal University of Lavras, 37200-000, Lavras, MG, Brazil

e. Centro de Ciências da Natureza (CCN), Federal University of São Carlos, UFSCar, Rod. Lauri Simões de Barros km 12 – SP-189 Bairro Aracaçu, Buri, SP, Brazil

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